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critica do Jornal Tribuna do planalto

Um artista de talento

O espaço público da mídia, se é que existe este termo, rádio e TV, por exemplo, está sobrecarregado de música de qualidade mediana, a tal ponto que quando se ouve uma canção boa é como se houvesse uma concessão divina. Na internet, terra de ninguém, é possível garimpar boa música com mais facilidade, mas há que se conhecerem certos atalhos ou ter dinheiro para consumir um produto final à altura do bom gosto.

Mesmo assim, vários artistas que não são abraçados pela grande mídia, de uma forma ou de outra, chega a nossos ouvidos. É o caso de Manuel Filho, artista plural, músico, escritor, dramaturgo e ator de São Bernardo do Campo, São Paulo, que recentemente lançou seu segundo CD, Raízes, uma bela demonstração de que vale a pena ouvirmos novas vozes para descobrir um oásis no deserto do real.

Raízes prima pelo conceito pensado e executado. Manuel Filho consegue imprimir um caráter diversificado, flanando pelo universo do samba, da canção bucólica, do forró e ouros ritmos, com o projeto de cantar o Brasil. Seu trabalho oferece melodias agradáveis e letras interessantes, algumas delas de composição própria e outras feitas em parcerias ou garimpadas de outros compositores.

“Bem de samba” (Márcia Fernandes), a música que abre o CD, é um excelente exemplo. “Não só de silêncio e de calma/ o samba constrói sua alma./ O samba traduz a sombra e a luz/”, diz a canção. Dá para cantarolar, sentindo a bossa, o movimento da canção, como quem anda cheio de ginga. Um clima de festa, um banquete regado ao som do samba aflautado. Vinicius de Moraes foi feliz ao dizer que “o samba é a tristeza que balança, e a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste não.” Essa mesma esperança está estampada no “Bem de samba”. E o mesmo sentimento sombrio em contraste com o desejo de ser feliz.

Família

O próprio Manuel Filho mostra seu talento como compositor com o forrozinho intimista de “Paz na estrada”. O legal do CD é que foi feito para a família, nesses tempos de solidão. Quem é pai sabe o quanto é bom cantarolar com os filhos. Raízes é esse tipo de trabalho, que aglutina, tendo inclusive duas ou três canções infantis das 13 faixas.

Às vezes apenas uma frase, um verso, já nos conquista, nos põe antenados com a música toda. “Será que um sonho vem em vão?”, questiona a letra de “Sonho” (Mandarino Junior/Manuel Filho), deixando a sonoridade falar mais alto que a intenção da frase. É claro que há sempre uma ou outra que não agrada. Algumas se sustentam nos arranjos, como “Negócio particular”, composta por Fran Papaterra, que, em compensação, assina a ótima “Trem de aço”.

Outra boa pedida é Noel Rosa revestido. “Rapaz folgado” está no CD com um arranjo diferente e cantado com a voz bem afinada de Manuel Filho, que lembra um pouco Ivan Lins. Aos 42 anos, o artista está bem maduro para ganhar o grande mercado. Como escritor, já está há mais tempo na estrada, com 11 livros publicados.

Muitos de seus livros são de literatura infanto-juvenil, como O Ouro do Fantasma, da coleção Vaga-Lume (Ática, 2004). Foi um dos ganhadores do Prêmio Jabuti 2008 na categoria Paradidáticos com o livro No Coração da Amazônia. Agora em novembro, venceu o I Concurso Literário de São Bernardo do Campo, na categoria Dramaturgia, com o texto “Antes de dormir”. É um artista que vale a pena conhecer.

Serviço

*CD: Raízes
*Artista: Manuel Filho
*Distribuidora: Tratore
*Preço: R$ 23,20
*Site: www.manuelfilho.com.br

http://www.tribunadoplanalto.com.br/cultura/10945-um-artista-de-talento.html

  

 

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